Mudanças climáticas na pecuária

No Brasil, o agronegócio é um setor muito importante, sendo responsável por parcela relevante da economia, respondendo por mais de 20% do PIB. Em 2016 somente a pecuária respondeu por 4,21% do PIB brasileiro, com uma renda anual da cadeia de corte de 200,4 bilhões e de leite de 63,6 bilhões de reais. As projeções do agronegócio brasileiro de 2015/2016 a 2025/2026 preveem aumento para o setor pecuário. A produção de leite deverá crescer nos próximos 10 anos a uma taxa anual entre 2,3 e 3,1%, o que correspondem a passar de uma produção de 34,2 bilhões de litros em 2016 para valores entre 42,9 e 47,3 bilhões de litros. As projeções para as carnes brasileiras mostram que o setor deve apresentar intenso crescimento nos próximos anos e a expectativa é de que a produção continue em rápido crescimento na próxima década. Os preços ao produtor devem crescer fortemente durante os próximos dez anos, especialmente para carne de porco e bovina, enquanto que os preços do frango devem crescer a taxas mais modestas. A produção de carne bovina tem um crescimento projetado de 2,4% ao ano, o que também representa um valor relativamente elevado, pois consegue atender ao consumo doméstico e às exportações. A produção total de carnes em 2015/16 foi estimada em 26,3 milhões de toneladas e a projeção para o final da próxima década é produzir 34,1 milhões de toneladas de carne de frango, bovina e suína. Essa variação entre o ano inicial da projeção e o final resulta num aumento de produção de 29,8%. Uma das principais preocupações com relação ao crescimento da pecuária está relacionada aos possíveis impactos ambientais, o que certamente colocará em evidência o tratamento dispensado pelo nosso país em relação às questões ambientais. 

Segundo o Intergovernmental Panel of Climate Change (IPCC), as alterações 
climáticas referem-se a uma mudança no estado do clima, e que persiste por período prolongado, tipicamente décadas ou mais e podem ocorrer devido a processos internos naturais ou forças externas, por exemplo, as alterações antrópicas persistentes na composição da atmosfera ou no uso da terra.
Dentre os gases de efeito estufa (GEE), estudos recentes mostram que o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O) tem sido os maiores contribuintes para a alteração do quadro climático do planeta. Ocorre que, atualmente, a atividade industrial está afetando o clima terrestre na sua variação natural, o que sugere que a atividade humana é um fator determinante no aquecimento principalmente em função do aumento das emissões dos GEE. 
 
As evidências de que ocorrerão mudanças climáticas globais, em função do aumento da concentração dos GEE são reais. Autores mostram que, essas mudanças climáticas já ocorreram no passado e podem acontecer novamente. Estas e outras mudanças continuarão ocorrendo, mesmo que cesse a emissão de gases, sendo necessário um longo período para o retorno do equilíbrio. Diante disso, os setores econômicos, como o ramo da agricultura, poderão sofrer com os impactos gerados no ambiente, em especial os de ordem climática. 

As mudanças climáticas, além de causar alterações nas características físicas do planeta, ocasionam alterações também na biologia das plantas cultivadas. Qualquer mudança no clima pode afetar o zoneamento agrícola, as técnicas de manejo e a produtividade das culturas. Tais alterações podem representar sérias consequências econômicas, sociais e ambientais. 

Além disso, com o aumento da variabilidade climática, haverá alteração das colheitas, resultando na degradação de solo, e ocorrência de doenças no plantio. Esta última, sempre esteve relacionada aos fatores do ambiente, portanto mudanças no padrão da temperatura média, precipitação, umidade relativa do ar e níveis de gases atmosféricos apresentam potencial em alterar o comportamento de algumas doenças. 

Além disso a concentração de CO2 nas gramíneas afeta os processos fisiológicos essenciais para a produtividade das plantas. Assim, o enriquecimento de CO2 atmosférico aumentará a taxa de crescimento das plantas e, portanto, aumentará a produção de biomassa em até 30% se a concentração de CO2 na atmosfera ambiente for elevada, porém esses resultados são dependentes também de outras condições atmosféricas, como precipitação e intensidade luminosa. 
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