Dietas com alto concentrado para bovinos em confinamento 

Nos últimos anos, a área destinada para a pecuária vem sendo reduzida devido à expansão da agricultura e, as pastagens naturais ou plantadas substituídas por grandes culturas, como soja, algodão e cana-de-açúcar. Neste contexto, o pecuarista teve que se profissionalizar implementando o uso de novos recursos tecnológicos e melhorando a gestão do seu negócio. Com o aumento da oferta de grãos e seus subprodutos no Brasil e, devido aos baixos níveis de desempenho animal durante o período seco no ano, o confinamento é uma alternativa tecnológica que tem sido bastante empregada pelos produtores como uma forma de diminuir a idade de abate dos animais e o aumento da capacidade de suporte das propriedades, promovendo o acréscimo da produção e a otimização do uso da área já existente.
Apesar das vantagens a prática do confinamento ainda é onerosa e o custo com a alimentação é o principal fator determinante para bons resultados, podendo variar de acordo com a região, disponibilidade de grãos e resíduos da agricultura ou agroindústria. Em diversas regiões do Brasil, o preço de concentrados como milho, sorgo e outros subprodutos (e.g. casca de soja) são tão baixos, que o custo da unidade de energia do volumoso é muito mais dispendioso do que a dos concentrados. Neste ambiente econômico, dietas de alto concentrado são muito interessantes e podem ser necessárias para viabilizar a atividade.
Os elevados níveis de concentrado utilizados nestas situações atendem ao conceito de “rações de lucro máximo” e estão associados às altas taxas de ganho de peso e eficiência de conversão, visando reduzir o tempo de permanência do animal no confinamento.
A melhor forma de verificar se as rações estão bem formuladas é através da variação de peso dos animais e a comparação com algum parâmetro esperado (e.g. NRC). Entretanto, como esta é uma tarefa de difícil execução em confinamentos de grande porte, há a necessidade de obter-se uma maneira prática e simples de verificar se as rações estão atendendo ao desempenho esperado como, por exemplo, medindo o consumo diário do lote.
No Brasil inúmeros insucessos e enormes perdas econômicas ocorreram em situações onde se utilizaram dietas de alto concentrado, como as empregadas nos EUA em bovinos confinados. Os problemas ocorrem, em parte por problemas de acidose, laminite, consumo flutuante e consequentemente redução do ganho de peso.
Com emprego de dietas com alto teor de concentrado há mais possibilidades de ocorrência de distúrbios metabólicos, como a acidose láctica. A acidose ocorre em consequência do acúmulo de ácido lático no rúmen, devido ao incremento súbito na quantidade de carboidratos administrados aos animais ou troca brusca de rações com baixo valor energético, acompanhado de pouca ou nenhuma fibra ou sem uma adaptação prévia dos animais a estes tipos de alimentos.
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